terça-feira, 26 de junho de 2012

Pregação, Moises e Zípora


Moises e Zípora
Segundo o Antigo Testamento, midianitas (ou madianitas) são descendentes de Abraão e sua esposa Quetura, desposada após a morte de Sara. Os filhos deste segundo casamento, entre eles Midiã, foram enviados para uma terra distante, longe de Isaque, dito filho da promessa.
Tais descendentes de Abraão, então, deram origem à tribo dos midianitas, que mais tarde são mencionados em conjunto com os ismaelitas — também descendentes de Abraão, porém através de sua escrava egípcia, Hagar, que lhe deu um filho a quem deu o nome de Ismael, e que foi enviado ao deserto com uma promessa de Deus de que também seria uma grande nação, a qual considera-se tradicionalmente ser a árabe.

Gideão foi o juiz que libertou os filhos de Israel dos midianitas.Os midianitas eram povos nômades árabes dos desertos da Síria e da Arábia.
Esse povo oprimia Israel roubando suas colheitas e também seus animais .Eles tinham invadido a parte central da Palestina.
Em um de seus ataques eles mataram os irmãos de Gideão, em Tabor.
Foi então que Gideão recebeu uma experiência com Deus, onde o Anjo do Senhor o chamou, para fazer dele o libertador de Israel.
Deus ordenou-lhe que derrubasse o altar de Baal e erguesse ali um altar dedicado a Deus. Gideão reuniu uma pequena força com apenas 300 homens e surpreendeu os midianitas sob a escuridão da noite, levando-os em direção ao rio Jordão,
capturando e matando dois dos príncipes midianitas, Horebe e Zeebe. Continuando a perseguição até as margens do rio Jordão, alcançou os reis midianitas Zeba e Salmuna e os executou.
A ELIMINAÇÃO DOS MIDIANITAS Números capítulo 31
O SENHOR deu a Moisés, como uma das suas últimas incumbências oficiais antes de morrer e passar para o além, a eliminação dos midianitas que se encontravam na terra de Moabe. Esses haviam se afastado do território ao sul de Canaã, onde vivera Jetro, o sogro de Moisés, e aliando-se aos moabitas, caído em idolatria com eles.
Preparando esta nova geração de israelitas para os combates que tinham à frente para conquistar sua terra, o SENHOR enviou mil homens de cada tribo (um entre cinquenta combatentes do seu exército) para uma expedição punitiva. Os midianitas foram escolhidos como alvo, porque haviam se juntado aos moabitas, para alugar os serviços de Balaão para amaldiçoar os israelitas, e seguido o seu conselho para seduzir os homens de Israel com idolatria e licenciosidade. Vinte e quatro mil israelitas haviam morrido por causa de uma praga que lhes veio em consequência (capítulo 25:9).
Os midianitas tipificam o mundo: o servo de Deus deve separar-se espiritualmente do mundo de hoje. Virá o dia em que os que introduzem heresias e corrupção dentro da igreja serão punidos, assim como a serpente que enganou a humanidade será lançada no lago de fogo e enxofre.
A punição que o SENHOR ordenou era severa, para cumprir o que Ele comandara ao fim da praga: "afligireis os midianitas e os ferireis" (capítulo 25:17). Finéias, filho do sacerdote Eleazar, que aparecera como figura decisiva naquele episódio, também seguiu nesta expedição, levando os instrumentos sagrados e as trombetas para soar o comando, indicando que era uma guerra espiritual.
Os reis dos midianitas foram executados, com todos os homens adultos, e com eles Balaão, que tanto mal havia originado com seus conselhos. É um juízo sobre os gentios, antes da entrada na terra prometida. Da mesma forma haverá o julgamento de Cristo sobre as nações gentias antes do milênio, quando Israel finalmente entrará na posse permanente da terra prometida.
"Porém os filhos de Israel levaram presas as mulheres dos midianitas e as crianças" : a palavra porém assinala um desvio do que teria sido o perfeito cumprimento da missão. Deus lhes deu uma vitória perfeita, pois nenhum dos combatentes israelitas perdeu a vida (versículo 49), mas eles falharam por não eliminar completamente aquele povo idólatra
Ao estudar este texto que implica a circuncisão de Gérson, filho de Moisés, podemos levantar muitas perguntas. Por que Moisés quase morreu antes de cumprir sua missão? Por que Zípora teve que intervir de forma tão violenta? O que faltava a Moisés para se tornar um servo de Deus completo? Questões difíceis, mas não conseguimos impedir que elas invadam nosso imaginário em nossos momentos devocionais. O que há nas entrelinhas deste relato?
Para responder a estas perguntas será necessário fazer um outra leitura do texto, considerando as identidades étnicas de cada povo. É preciso perceber como cada povo entende a atuação de Deus para o bem e para o mal.
O contexto do evento
Este texto trabalha com pelo menos duas culturas muito distintas: a cultura midianitas e a egípcia, na qual Moisés fora criado. No Egito a religião era oficial, politeísta, praticada no templo e servia, entre outras coisas, para legitimar o faraó como uma divindade a ser adorada. No Egito, o sacerdote “morava” no templo e a religião não era incentivada fora do espaço sagrado. A religião existia para servir ao faraó, posição que Moisés possivelmente teria ocupado se não tivesse matado um egípcio em favor de um hebreu (Êx 2.11-14).
Já entre os beduínos do deserto, o culto era um elemento dinâmico da vida familiar e um homem jamais ocuparia a posição de Deus. Os beduínos não entendiam templos como espaços onde se encontrariam com seu Deus. Para eles Deus morava na montanha, olhava para tudo que acontecia e acompanhava as peregrinações das famílias, podendo ser adorado em qualquer lugar em que a família acampasse.
Os beduínos tinham tendências monoteístas, isto é, não adoravam vários deuses, mas adoravam ao Deus que chamavam “Deus dos Pais”, porque este Deus, em algum momento da história daquela família, se revelara ao patriarca do clã. Sendo Jetro um descendente de Midiã, e Midiã fora um dos filhos de Abraão com Quetura, é muito provável que o “Deus dos Pais” dos midianitas fosse entendido como o mesmo “Deus de Abraão”. Este sistema de vida exigia um sacerdócio muito dinâmico e pouco exclusivo, com capacidade de ser exercido fora de um templo e por diversas pessoas da família.
Os personagens do evento
Entre nossos personagens está Zípora, mas para entendê-la temos que entender Jetro, o sogro de Moisés. Jetro é apresentado com diferentes nomes ao longo da Bíblia (Reuel ou Hobabe - Êx 3.1, Nm 10.29 e Jz 4.11), também é chamado de quenita (Jz 1.16, Nm 10.29). Os quenitas eram uma das subtribos midianitas, por isso midianitas ou quenita traduz a mesma ideia. Esta tribo dará abrigo aos israelitas mais adiante na história, quando fugirem do faraó (Nm 24.21,22).
Os povos do norte da África, como egípcios e líbios, estão bastante presentes na cultura bíblica, os cananitas são descendentes de Cam, filho de Noé, cuja reputação é a de ser o pai dos povos africanos. Mas a referência aos cuchitas é como uma menção aos povos negros, mais negros que os demais. Quando o texto bíblico diz que a esposa de Moisés era cuchita, está chamando Zípora de mulher negra (Nm 12). Zípora é a única mulher da Bíblia que circuncida um menino, isso era função de sacerdotes homens, mas muito provavelmente ela aprendeu com seu pai, no dinamismo da vida do clã, já que Jetro não tinha filhos homens (Êx 2.16) e com a idade já não devia enxergar tão bem a ponto de proceder a uma cirurgia tão delicada no corpo de seus netinhos recém-nascidos.
Moisés foi um descendente da tribo de Levi, cujas funções sacerdotais ainda viriam a ser assumidas na vida do povo de Israel. Neste momento da história nada disso estava definido. Deus ainda não designara os levitas para o sacerdócio, e mesmo quando designou, Moisés jamais foi sacerdote, Arão sim, mas Moisés sempre é apresentado como profeta, a pessoa que transmite as palavras de Deus. Por causa dos costumes midianitas, a sacerdotisa da família era Zípora. E Gérson era o filho primogênito do casal (Êx 2.11-22).
Os conflitos do evento
A formação de Moisés no Egito não considerava a existência de um “Deus dos Pais”. Ele foi criado num ambiente de panteão, com mais de cem divindades diferentes, onde cada qual tinha sua função, mas nenhuma era ligada à vida familiar. Moisés não fora criado com os hebreus, mas no palácio do faraó. Sua religião original era politeísta.
Não devemos pensar em Moisés como alguém que já conhecesse Javé desde que nascera. Assim como nós, Moisés aprendeu a conhecer a Deus durante a caminhada. Muitas experiências com Deus foram novidades para ele, pois ele não tinha uma cartilha a seguir. Um Deus da família era um conceito muito novo para Moisés, foi uma experiência que teve a partir de seu contato com Jetro e Zípora.
Na primeira vez que se encontrou com Deus (Êx 3.1-4.17) travou-se um longo diálogo no qual Deus se apresentou a Moisés justamente como o “Deus dos Pais” (Êx 3.6). Ele recebeu seu chamado no território ocupado por Midiã, e sua forma de entender a atuação de Deus foi aprendida com a família de Jetro. Isso continuou acontecendo depois, quando seu sogro continuou dando-lhe orientações (Êx 18).
Quando Moisés estava à beira da morte (Êx 4.24) ele não tinha noção do que fazer, mas Zípora, sim! Ela conhecera Javé antes de Moisés! E ela era filha de um sacerdote! Aprendera as funções sacerdotais, como a de circuncidar uma criança.
Zípora, em sua sensibilidade espiritual, parece ter entendido algo que nem Moisés captou. Quando Deus disse que, se o faraó não libertasse Israel, o primogênito de Javé, Ele mataria o primogênito de faraó (Êx 4.22,23) subentende-se que Deus estava prestes a agir como Deus de morte contra todo aquele que não pertencesse a Ele. Se a circuncisão já era praticada entre os midianitas desde os dias de Abraão como sinal da aliança entre Abraão e Deus e como símbolo da pertença a Javé, Zípora conhecia estas tradições. Imediatamente ela tomou a iniciativa de circuncidar Gérson, que agora pertencia a Javé.
Na Bíblia muitas vezes a palavra “pé” é usada para designar o órgão genital masculino, pois no hebraico antigo não existe uma palavra específica para esta parte do corpo. Quando Zípora atirou o prepúcio do menino nos pés de Moisés, foi como dizer: “faça agora você a sua parte”: a sua aliança com Javé, pois até aquele momento Moisés tinha uma missão, mas ele não tinha feito sua aliança com o Deus de Abraão!
As soluções do evento
Somos ensinados, em nossa vida cristã, que o sacerdócio do lar pertence ao chefe da família. “O que devo fazer quando meu marido, cristão, não quer assumir a responsabilidade espiritual da vida da família?”.
Atualmente muitas famílias são regidas por suas mães por não terem mais a presença do pai no meio delas, esse é um quadro que se torna cada vez mais comum na sociedade. Em muitas outras a presença do pai existe, mas estes se omitem na educação espiritual de seus filhos, deixando uma sobrecarga nas costas das mães.
Zípora e Moisés nos ensinam que o compromisso da aliança com Deus tem que ser de ambos e que, por mais que um dos cônjuges se esforce em transmitir esta aliança a seus filhos, o outro tem que fazer sua parte também! Não há compromisso com Deus que não envolva todas as partes de nossa vida, inclusive o nosso corpo inteiro.